25.9.10

Repetições.

Tudo repete nesta vida.
Tudo volta ao ponto inicial.
Tudo regressa de algum modo.
Tudo é nada quando acaba e volta ao zero.

Hoje estou sem vontade de repetições.
Hoje vou viver o "hoje" sem o tudo e sem o nada.
Hoje vou esquecer que algum dia existiu aquilo que hoje não existe.
Hoje, e para sempre, Eu sou a única coisa que não retorna ao ponto de partida.

12.9.10

Dilúvio Improv. #1

Já nada é como era...
Eu já não sou que era... quem fui... quem quis ser...

Amanhã será mais um dia de duras provas...
Amanhã será o dia mais próximo que já tive daquilo que eu quero...
Amanhã o dia será um dia a viver e a lamentar aqueles que não foram vividos...

Neste momento sou um nada estranho cheio de tudo.
Neste momento sou só mais um entre muitos tantos nenhuns...
Neste momento sou eu, aquele eu que nunca fui senão agora...

Um dia alguém me disse "Tu nunca vais estar só, pois eu vou estar aqui!"...
Um dia alguém me esqueceu e viveu sem mim o dia seguinte...
Um dia eu acordei e descobri que tudo estava diferente...

Ontem foi o dia da ilusão... foi o dia em que não vi o fantasma do antes-de-ontem...
Ontem foi o dia em que parecia que o mundo tinha parado para eu puder andar...
Ontem foi aquele dia que não ficou pois não podia...

Hoje vou ser de novo só mais um...
Hoje vou acordar e pensar que nada mudou, quando tudo está do avesso...
Hoje vou ser eu a dizer "não!" à estúpida sombra que me segue...

Já foi embora o dia que eu queria viver...
Já foi embora o "eu" que eu queria tanto ser...

Já me fugiram os sonhos que tive quando era uma criança...

Amanhã, ou Hoje, ou Sempre, Lembra-te:

Nada é eterno... tudo muda e tudo foge de ti. Agarra-te ao que podes mas fica consciente de que tudo pode desfazer-se em pó se apertares demais.

5.9.10

Único.


CANÇÃO

[Fernando Pessoa]

Silfos ou gnomos tocam?...
Roçam nos pinheirais
Sombras e bafos leves
De ritmos musicais.


Ondulam como em voltas
De estradas não sei onde
Ou como alguém que entre árvores
Ora se mostra ou esconde.


Forma longínqua e incerta
Do que eu nunca terei...
Mal oiço e quase choro.
Por que choro não sei.


Tão ténue melodia
Que mal sei se ela existe
Ou se é só o crepúsculo,
Os pinhais e eu estar triste.


Mas cessa como uma brisa
Esquece a forma aos seus ais;
E agora não há mais música
Do que a dos pinheirais.


For the weekend and everything around it...

4.9.10

O regresso...

Estou de volta aos dilúvios.

Sim, desta vez, quase um ano depois, estou mesmo de volta...

Sinto que perdi uma parte de mim desde que me "esqueci" involuntariamente deste espaço...

Tanto e tão pouco mudou em quase um ano... dá para acreditar?...

Enfim... vou ter tempo para falar de tudo...

C.F.